CMV e ficha técnica: quanto custa cada prato, por canal

Publicado em Atualizado em 7 min de leituraPor Adriano Carvalho, CEO

Resposta curta

CMV é o custo do que foi vendido, e se mede de dois jeitos: no período, pelo estoque inicial mais as compras menos o estoque final, e no prato, pela ficha técnica, que soma os ingredientes de uma porção. Os dois não batem, e a diferença é perda, porção fora da ficha e desvio. A referência do setor foi 34,3% do faturamento em 2023 (ABF/Galunion, 2024), numa definição que inclui descartáveis, logística e mão de obra direta: é média de rede, não meta. BetaO Assistente de CMV monta a ficha técnica e calcula o custo e a margem de cada prato. O modelo está logo abaixo.

O modelo de ficha técnica

Uma linha por ingrediente. A quantidade líquida é o que vai no prato; o fator de correção devolve o que precisa ser comprado para chegar nela. O custo da porção é o total dividido pelo rendimento. Abaixo, o modelo preenchido com um prato de exemplo e, depois, em branco, para copiar.

IngredienteUnidadePreço por unidadeQuantidade líquidaFator de correçãoCusto na receita
Pão briocheunidadeR$ 1,8011,00R$ 1,80
Blend bovinokgR$ 48,000,1601,00R$ 7,68
Queijo em fatiaskgR$ 42,000,0401,00R$ 1,68
AlfacekgR$ 12,000,0151,40R$ 0,25
TomatekgR$ 8,000,0301,20R$ 0,29
Molho da casakgR$ 20,000,0201,00R$ 0,40
Custo da porção————R$ 12,10
Preço de venda————R$ 38,00
CMV do prato————31,8% do preço
Ilustrativo — hambúrguer da casa, uma porção. Preços de compra e fatores de correção supostos para o exemplo; nenhum número desta tabela saiu de fonte nem do Glutões.
Valor ilustrativo: o prato, os preços e os fatores de correção são de exemplo. É o mesmo prato da conta por canal.
Modelo de ficha técnica em brancoCole no Excel ou no Google Planilhas
Ingrediente	Unidade de compra	Preço por unidade (R$)	Quantidade líquida na receita	Fator de correção	Quantidade bruta	Custo na receita (R$)
					=D2*E2	=F2*C2
					=D3*E3	=F3*C3
					=D4*E4	=F4*C4
					=D5*E5	=F5*C5
					=D6*E6	=F6*C6
					=D7*E7	=F7*C7
					=D8*E8	=F8*C8
					=D9*E9	=F9*C9
Custo total da receita						=G2+G3+G4+G5+G6+G7+G8+G9
Rendimento (porções)						
Custo por porção (R$)						=G10/G11
Preço de venda (R$)						
CMV do prato (% do preço)						=G12/G13*100
Cole a partir da célula A1. Preencha as colunas A a E e as células G11 (rendimento) e G13 (preço); o resto é fórmula. Até lá, o custo por porção e o CMV mostram erro de divisão.

Como montar a ficha técnica, passo a passo

Pese o ingrediente como ele chega, que é o peso bruto, e de novo depois de limpo e pronto para ir ao prato, que é o peso líquido. O fator de correção é o peso bruto dividido pelo líquido. Uma alface que chega com 1,4 kg e rende 1 kg limpa tem fator 1,4: para pôr 15 g no prato, a cozinha compra 21 g.

Valor ilustrativo: a alface e o fator de correção são de exemplo; o fator da sua cozinha sai da balança.

Depois, anote o preço de compra na mesma unidade da quantidade, multiplique pela quantidade bruta e some as linhas. O rendimento é quantas porções a receita dá; o custo da porção é o total dividido por ele. Refaça a ficha quando o fornecedor mudar o preço ou a receita mudar de gramatura: ficha velha dá CMV velho.

O CMV do período — e por que ele não bate com a ficha

O CMV do mês sai do estoque: estoque inicial, mais as compras, menos o estoque final. Dividido pelo faturamento e multiplicado por cem, vira percentual, como mostra o artigo Entendendo o CMV de restaurante, texto colaborativo de autor externo, publicado na comunidade do Sebrae/PR, que avisa não responder pelo conteúdo. O mesmo texto lembra que o desperdício entra nessa conta.

A ficha técnica diz quanto deveria ter custado o que foi vendido; o estoque diz quanto custou de fato. A diferença entre os dois é o que escapa: porção maior que a ficha, perda que ninguém anotou, erro de contagem. É por isso que as duas medidas servem juntas, e nenhuma substitui a outra.

O custo do prato é o mesmo em todo canal; a margem não

A ficha técnica dá um custo por prato, e ele não muda com o canal. O que muda é o que sai do preço antes de chegar ao caixa. No iFood, a comissão é de 12% sobre o valor total dos pedidos no plano em que o restaurante entrega (iFood, página de taxas, 2026) e de 23% no plano em que a plataforma entrega (iFood, página de taxas, 2026), e ela incide sobre o preço, não sobre o custo. A taxa de pagamento online é de 3,2% nos dois planos, só nos pedidos pagos pelo app, também sobre o preço (iFood, página de taxas, 2026) (a página de planos do iFood fala em outro valor; a página da conta por canal explica a diferença).

Com o mesmo prato de exemplo, somando comissão e taxa de pagamento, a margem de contribuição cai de R$ 25,90 sem custo de canal para R$ 15,94 com a plataforma entregando.Valor ilustrativo: preço e CMV do prato são premissa. A conta linha a linha está na página indicada logo abaixo.

A conta canal a canal, com a fonte de cada percentual, está em como calcular a margem de cada prato, por canal.

O que o Assistente de CMV faz

BetaAssistente de CMV — monta a ficha técnica de cada prato e calcula o custo e a margem por prato. A margem por canal fica com o Assistente de DRE, também em Beta. O Assistente de CMV trabalha no painel do Glutões; o WhatsApp do dono avisa e resume. CMV, ficha técnica e margem por prato estão em Beta: o recurso entrega e está aberto a todos, e ainda não tem caso verificado com dono nomeado. Por isso esta página não publica número saído dele.

Ele é um dos quatro Assistentes do Glutões, ao lado dos de DRE, de Estoque e de Clientes, em o que o Glutões faz. Os pedidos entram pelos sistemas que o restaurante já usa, na lista de integrações do Glutões.

O que não sabemos

Não sabemos qual é o CMV bom para o seu tipo de cozinha: não achamos medição pública por segmento, só médias de rede e estimativas sem método declarado. Não sabemos a perda média na limpeza de cada ingrediente numa cozinha brasileira de delivery: o fator de correção do exemplo é suposto, e o seu sai da balança.

Também não sabemos a composição do CMV médio do setor por tipo de ingrediente: a pesquisa da ABF publica o total, não as partes.

Perguntas frequentes

CMV é o custo da mercadoria vendida: o que custou o que saiu da cozinha para a venda. Ele se mede de dois jeitos. No período, pelo estoque: estoque inicial, mais compras, menos estoque final. No prato, pela ficha técnica: a soma dos ingredientes de uma porção. Os dois têm o mesmo nome e não dão o mesmo número.

Liste os ingredientes da receita com a quantidade que vai no prato, corrija cada quantidade pelo fator de correção, que é a perda na limpeza e no preparo, multiplique pelo preço de compra e divida o total pelo número de porções. Dividido pelo preço de venda, o resultado vira o CMV do prato em percentual.

Para calcular custo, cada linha precisa do ingrediente, da unidade e do preço de compra, da quantidade líquida que vai na receita e do fator de correção. No fim, o rendimento em porções e o preço de venda. Modo de preparo, tempo e foto do prato ajudam a padronizar a cozinha, mas não mudam a conta.

Não há um ideal publicado com medição por trás. A referência do setor é a média das redes de alimentação na pesquisa da ABF com a Galunion, numa definição que inclui descartáveis, custos logísticos e mão de obra direta. Ela serve para comparar, não como meta: o CMV que funciona é o que deixa margem de contribuição positiva em cada canal por onde o prato sai.

Porque o estoque registra tudo o que saiu, e a ficha técnica só o que deveria ter saído. A diferença é desperdício, porção servida acima da ficha, erro de contagem e desvio. Medir as duas e comparar é a forma de achar onde o custo escapa.

Está em Beta: monta a ficha técnica e calcula o custo e a margem de cada prato, e está aberto a todos. Ainda não há caso verificado com dono nomeado, por isso esta página não publica número saído dele.

Continuar a leitura

O que o Glutões faz →O sistema operacional com IA do restaurante: o que cada Assistente entrega, e para que porte.

Como calcular a margem de cada prato, por canal →O CMV é o começo da conta, não o fim: comissão, taxa e cupom incidem sobre o preço, e a embalagem muda por canal.

Quanto cada canal desconta de um pedido →A calculadora de margem por canal: comissão, taxa de pagamento e cupom sobre o mesmo pedido, com a fonte de cada percentual.

Fechamento de caixa todo dia, DRE gerencial todo mês →O Assistente de DRE fecha o caixa do dia e monta a DRE gerencial do mês (Beta), com a margem por canal, pronta para o seu contador — e a planilha de fechamento aberta.

Controle de estoque do restaurante →O Assistente de Estoque (Beta) conta, avisa a ruptura e sugere a compra a partir das vendas — com a planilha aberta para quem começa no Excel.

Quanto entrou ontem, e por qual canal.

O Assistente de DRE do Glutões lê os pedidos do PDV e dos apps de entrega integrados e fecha o caixa do dia anterior, canal a canal, antes de o restaurante abrir.

Ver o fechamento do meu delivery